Quero água na boca antes de beijar, quero tempo para despertar, quero a noite para abraçar, quero chorar depois de amar, quero ser como o ar.
Sei bem que a vida passa a ter o gosto das palavras que se fala. Por isso menina cuide bem de tudo que se diz, falar é temperar a vida. E é por isso que grito sem parar...eu venço, eu venço, eu venço de tanto falar.
Fiz as pazes com as palavras, tenho nos adjetivos amantes, nos verbos amigos e nos substantivos segredos. A estrada de cada palavra é o tempo que a envolve e carrega como folha ao vento. Fuji em boa parte da minha vida dos desejos, tinha a cada um como inimigo, como um adeus a felicidade. Hoje busco cada um deles na dobra mais escondida de minhas próprias entranhas e os saúdo com suas realizações. Sem medo de concretizá-los, com a paciência do mar que puxa a onda com calma sabendo que ela retorna a quebrar na praia...
Fiz de mim a mulher que desejo, que desejei, e que sou. Lacan, Lacan, Lacan... tantos anos de análise para após os trinta entender que desejo o que sou, que é em mim que está o meu prazer, a minha felicidade, a minha liberdade, a minha realização... Eu quero o que sou... ardida, quente, impulsiva, paciente, determinada, inevitavelmente feminina, sou de mim, sou de mim, sou de mim e de mais ninguém.
Sou consciente, hoje experiente, ainda inocente, claramente inconseqüente... Não por não respeitar regras, mas por escolher aquelas que quero brindar, as que faço questão de inventar, de apagar e de rejeitar.
Quero mais, quero sem fim, quero querer e não mais adormecer...
Postado por
Hany Lissa Morgenstern
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